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Um cara de sorte
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Nova Ordem
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Comida
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Coração Civil
Milton Nascimento

Preserve
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Volta às aulas












Como preparar a escola para a chegada dos alunos?


Boas-vindas bem planejadas

Como garantir a acolhida dos alunos nos primeiros dias de aula para estabelecer o vínculo com a escola

Depois de planejar com a equipe gestora, os docentes e os funcionários como será o ano na sua escola, reserve um período da semana pedagógica para organizar a recepção dos alunos na primeira semana de aula. Os professores já terão informações sobre as turmas para as quais darão aulas e isso certamente ajudará nas relações que se estabelecerão no início do ano letivo. Com todo o grupo, pense nos detalhes que farão com que os alunos se sintam acolhidos e formem (ou fortaleçam) os laços afetivos com a escola - condição importante para que a aprendizagem aconteça. A seguir, uma pauta para você discutir com a equipe:

1. Organização das salas
Antes de os alunos chegarem, combine com professores e funcionários a maneira como a sala de aula deve estar organizada. No primeiro dia, as formações circulares facilitam a integração e por isso são mais indicadas do que fileiras (que não favorecem a socialização). Nas salas da Educação Infantil, aconselha-se a organizar cantos de brincadeiras (veja exemplos no vídeo Ateliê de Entrada) - para ajudar a entreter as crianças antes que a turma esteja completa e também já iniciando um processo de socialização e aprendizagem. A coordenação pedagógica, junto com os professores de cada turma, poderá decidir quais cantos são mais interessantes para as diversas faixas etárias.

2. Recepção
Decidam em conjunto o local em que cada um receberá os alunos. A sugestão é que a equipe gestora fique no portão para cumprimentar não somente as crianças e os jovens mas também os pais que costumam acompanhar os filhos à escola. Os professores podem esperar pelos alunos na porta da sala de aula. Combine com os funcionários de apoio que eles se posicionem nos corredores e em locais em que possam ajudar a informar a localização de cada classe ou ainda orientar sobre o caminho para os banheiros, o bebedouro etc. e outras dúvidas que os estudantes possam ter.

3. Apresentação em sala de aula
Reflita com os professores sobre a importância de apresentar os novos alunos aos demais antes do início dos trabalhos. Peça aos docentes que estimulem a criança a falar um pouco sobre ele mesmo, seu histórico e sua relação com os estudos. Depois, todos podem contar o que fizeram durante as férias. Os professores podem contribuir dando ideias para organizar esse momento e apresentar maneiras de fazer isso. Exemplos: cada aluno pode contar sobre algo que aprendeu nas férias, um lugar que visitou, uma história que leu ou assistiu. Entre os mais velhos, também é interessante falar dos planos que têm para o ano, o que pode incluir um curso ou uma atividade extra ou estudar para o vestibular.

4. Tutoria dos veteranos
É comum que os alunos novos demorem um pouco para se enturmar com um grupo já formado. Para facilitar esse período, adote um sistema de tutoria em que um colega da turma que já estuda na escola há mais tempo mostre ao novato todos os departamentos, o acompanhe e oriente em relação aos procedimentos da escola e tire suas dúvidas. Esse acompanhamento pode variar de uma semana a um mês. Algumas escolas marcam o início das aulas para os novatos um ou dois dias depois do início oficial das aulas. Nesses dias, o professor dá informações sobre o novo colega que vai chegar (nome, de onde ele vem, o que fazem os pais etc.) e escolhe o aluno que fará a tutoria. Em instituições em que há grêmio estudantil, essa recepção pode ser feita por um membro da entidade.

5. Primeiro contato com cada setor
Reforce também a importância dos funcionários de apoio e administrativos serem receptivos com todos e especialmente solícitos com quem ainda não conhece as dependências e rotina da unidade. Estude a hipótese de a classe do primeiro ano - em que todos devem ser novos - fazer uma excursão pela escola com paradas em cada setor para que um responsável da área explique o funcionamento da cantina, da biblioteca, da secretaria, etc. Algumas escolas marcam o início das aulas em dias diferentes para cada três ou quatro turmas para que todos os funcionários deem atenção a chegada de todos.

6. Aulas inaugurais diferenciadas
As primeiras aulas devem apresentar os conteúdos que serão trabalhados durante um período (bimestre, trimestre ou semestre), de acordo com o que foi planejado na semana pedagógica. Uma maneira de apresentar os projetos que serão desenvolvidos é mostrar à turma os trabalhos feitos sobre o tema em anos anteriores. Ao coordenador pedagógico, cabe orientar os professores para que façam uma avaliação inicial antes de introduzir cada conteúdo. As perguntas, quando bem elaboradas, além de dar uma noção precisa do que cada aluno sabe sobre o tema e de que ponto os professores podem avançar, servem para despertar a curiosidade e dar uma prévia do que as crianças aprenderão durante o projeto.

7. Regras bem compreendidas
Decida com a equipe, também no final da semana pedagógica, quem apresentará o estatuto da escola - e como - e em que momentos serão feitos os combinados entre professores e alunos. O próprio diretor pode ter essa função. Para isso, ele precisará ir de sala em sala, se apresentando, dando as boas vindas e explicando algumas regras de convivência já em vigor - que devem ser transmitidas de forma que os alunos entendam porque elas existem. Uma sugestão é partir dos direitos de cada um para os deveres de todos. Por exemplo: todo estudante tem direito a material didático de qualidade, para isso cada um deve cuidar bem dos livros que usará naquele ano para que eles possam ser reutilizados no próximo. É importante gastar alguns minutos com o assunto logo nos primeiros dias de aula, antes que as situações em que caberia o uso de determinadas regras ocorram. Com as regras gerais conhecidas, cada professor pode organizar com a uma turma os combinados internos. Para isso é preciso ouvir os alunos e sistematizar as discussões, chegando a normas internas para cada grupo.

Publicado em NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, Edição 005DEZEMBRO DE 2009 / JANEIRO 2010, Título original: Boas-vindas bem planejadas

Adaptação: o fim de cinco mitos (5º)

Mito 5
A presença dos pais nos primeiros dias só atrapalha a adaptação

Ilustração: Guazzelli
Na porta da sala, uma dezena de pais se acotovela querendo ver os filhos em atividade. A cena, pesadelo para muitos professores de Educação Infantil, que não sabem se dão atenção às crianças ou aos adultos, é representativa de um elemento essencial para que a adaptação aconteça bem: a boa integração entre a família e a escola, que deve acontecer desde o começo do relacionamento.

O que acontece Nem todo pai ou mãe conhece as fases de desenvolvimento da criança e as estratégias pedagógicas usadas durante a adaptação. Eles têm direito de ser informados e essa troca é fundamental na transição dos pequenos do ambiente doméstico para o escolar. A ansiedade dos pais vai diminuir à medida que a confiança na escola aumenta - e isso só acontece quando há informações precisas sobre a trajetória dos pequenos.

Como ajudar os professores É função do coordenador pedagógico acolher as famílias, fazer entrevistas para conhecer a rotina da criança e explicar o funcionamento e a proposta pedagógica da escola, além de estabelecer um combinado sobre a permanência dos pais na unidade durante a adaptação. Criar juntamente com os professores um guia de orientação para eles com dicas simples - como conversar com a criança sobre a ida à escola, a importância de levá-la até a sala e de chegar cedo para evitar tumulto - pode evitar problemas. Além disso, desenvolver um relatório de distribuição periódica, com informações sobre os progressos na aprendizagem e na socialização das crianças ajuda a aplacar a ansiedade dos pais.

Adaptação: o fim de cinco mitos (4º)


Mito 4
Quando estão integrados ao grupo, os pequenos não choram mais
Ilustração: Guazzelli
Basta chegar à escola que as lágrimas aparecem. Se a mãe vai embora, elas aumentam. Na hora de brincar, de comer, de ler, choro. Muitos professores ficam desesperados e tentam distrair a criança mostrando imagens ou arrastando-a para um canto com brinquedos. Um engano, pois essa atitude pode atingir o objetivo imediato - que é acabar com o choro -, mas não resolve o problema.

O que acontece "Essa manifestação é apenas um sintoma do desconforto da criança", afirma Débora Rana. Interpretar esse e outros sinais - como inapetência e doenças constantes - é fundamental durante a adaptação. O que eles significam? Por outro lado, a ausência do choro não quer dizer que a criança está necessariamente se sentindo bem: o silêncio absoluto pode ser um indicador de sofrimento.

Como orientar os professores Uma criança que passa longos períodos chorando necessita de acompanhamento mais próximo. Na falta de auxiliares, ele pode ser feito pelo próprio coordenador até a criança se sentir mais segura. Ajuda também ter um plano para receber bem as crianças na primeira semana de aula. O uso de tintas, água e brincadeiras coletivas variadas é um exemplo de práticas atraentes que ajudam os pequenos a se interessar pelo novo espaço. Fazer com os professores uma orientação programada para que as crianças tragam objetos de casa - como fraldas, panos e brinquedos, que vão sendo retirados paulatinamente - auxilia a reduzir a insegurança.

Adaptação: o fim de cinco mitos (3º)


ito 3
Na Educação Infantil, todos precisam ser amigos
Ilustração: Guazzelli
"Que coisa feia! Dá a mão para o seu colega." Fazer com que as crianças se tornem amigas não é tarefa da escola, mas ensinar a conviver é um conteúdo imprescindível na Educação Infantil. Nem crianças nem adultos são amigos de todas as pessoas que conhecem e não por isso a convivência pessoal ou profissional é inviável. O papel do professor é incentivar e valorizar o que as crianças têm em comum. A escolha sobre com quem elas desejam ter uma relação mais próxima é absolutamente dela.

O que acontece No período de adaptação, primeiro há a criação do vínculo para que o trabalho escolar aconteça. Ele deve estar baseado no respeito entre as crianças e entre elas e os professores. Aos poucos - e naturalmente -, a afetividade vai sendo construída baseada nas afinidades dentro do grupo.

Como orientar os professores Os educadores devem intervir apenas quando a amizade prejudica a participação nas atividades (por exemplo, quando uma criança só quer ficar com alguns colegas e se isola do coletivo). A professora precisa ser orientada a desenvolver um olhar atento sobre as situações ideais para explorar os gostos comuns em favor da aprendizagem. Nos encontros de formação, invista na criação de oportunidades para que os pequenos se apresentem e falem dos seus objetos preferidos e discuta as situações reais que acontecem em sala.

Adaptação: o fim de cinco mitos (2º)


Mito 2
Criança adaptada é extrovertida e participativa

Ilustração: Guazzelli
Durante uma brincadeira de roda, a turma está toda junta, cantando. Apenas uma criança olha para o teto, cantarola baixinho alguns versos e não interage com as outras. A professora chama a atenção: "Cante mais alto! Você está triste? Por que nunca participa?" Certamente, quem age assim pensa que está incentivando a interação. Contudo, pode ocorrer o efeito contrário. "O mais adequado é se perguntar qual estratégia seria melhor para que a criança responda às atividades", diz Ana Paula Yasbek, coordenadora pedagógica do Espaço da Vila, em São Paulo. Elogiar apenas os alunos mais participativos aprofunda o sentimento de não-pertencimento.

O que acontece Existem as crianças extrovertidas, como também as tímidas. O respeito à personalidade de cada uma é essencial para o processo de adaptação e o direito à timidez precisa ser assegurado.

Como orientar os professores As estratégias para integrar as crianças devem ser procuradas pelo conjunto de educadores - e, certamente, com a ajuda dos pais. Para tanto, uma entrevista do coordenador pedagógico com os familiares sobre as preferências dos filhos é fundamental. Esse material será cruzado, durante a formação, com os registros de classe, relatórios de adaptação e portfólios. O que está sendo proposto atende às necessidades da criança? É possível também fazer visitas à sala ou gravar vídeos para perceber as práticas que funcionam melhor para cada criança e para o grupo.

Extraído do site; http://revistaescola.abril.com.br

Adaptação: o fim de cinco mitos (1º)


Crianças chorando e pais ansiosos. Esse é o cenário que se vê todo início de ano nas portas de creches e pré-escolas. O momento é tenso para eles e também para o professor, que, sem a exata compreensão sobre o que se passa com os pequenos, tenta a qualquer custo fazer com que eles se sintam à vontade no novo ambiente.

As últimas semanas do ano ou as primeiras antes do início das aulas são momentos ideais para ajudar a equipe a se preparar para essas situações. Um bom caminho é, nas reuniões de formação, promover discussões para derrubar alguns mitos que rondam o período de adaptação. Confira abaixo cinco ideias que caíram no senso comum e precisam ser discutidas com os professores.
Mito 1
Criança que não compartilha brinquedos não está adaptada

Ilustração: Guazzelli
Ilustrações: Guazzelli
"Você tem de dividir o brinquedo com seu amiguinho." "Isso não é seu, empreste para ele." Frases como essas são comuns em uma sala de Educação Infantil. Para a criança, muitas vezes, elas podem soar como uma ordem, uma obrigação, causando choro e recusa. "Aos olhos dos adultos, a negação da criança em dividir é vista como egoísmo", esclarece Débora Rana. Criar uma situação ameaçadora, aumentando o tom de voz ou sugerindo uma punição caso a criança não divida ou colabore com um colega, não é o caminho.

O que acontece Nos primeiros anos de vida, a criança encontra-se num momento autocentrado do seu desenvolvimento e desconhece as regras de convivência social. A compreensão do sentido e do prazer de compartilhar virá posteriormente, depois de um processo mais amplo de reconhecimento do outro.

Como orientar os professores Nas reuniões de formação, leve referências teóricas sobre as fases de desenvolvimento das crianças e seus comportamentos, como os estudos do educador francês Jean Piaget (1896-1980). O trabalho com estratégias de partilha e colaboração pode ser facilitado se o professor for orientado a montar em sala grupos menores, com duas ou três crianças, e a promover combinados - como o de que a criança pode ficar com um brinquedo por certo tempo, mas que depois deve cedê-lo ao colega. Agir de maneira firme e ao mesmo tempo acolhedora, a fim de mediar os conflitos e não negá-los ou resolvê-los de forma impositiva, é outra dica. Na hora do impasse, o ideal é expor o conflito e descrever para a criança as consequências de querer o objeto só para ela. Além disso, incentivar que elas verbalizem o que estão sentindo e encontrem soluções em conjunto ajuda no processo de mudança de atitude.

Extraído do site : http://revistaescola.abril.com.br

Volta às aulas - Gestão Escolar- Gestão da aprendizagem> Planejamento pedagógico Semana pedagógica: o que não pode faltar



Organização
Se é verdade que um bom planejamento evita problemas posteriores, certamente a primeira semana do ano é a mais importante para qualquer escola: é quando os gestores e a equipe pedagógica se reúnem para projetar os próximos 200 dias letivos e fazer a revisão do Projeto Político Pedagógico (PPP) - o documento que marca a identidade da escola e indica os caminhos para que os objetivos educacionais sejam atingidos. É o momento de integrar os professores que estão chegando, colocando-os em contato com o jeito de trabalhar do grupo, e, claro, mostrar os dados da escola para todos os docentes, além de apresentar as informações sobre as turmas para as quais cada um vai lecionar.

Antes de produzir esta reportagem, perguntamos a diretores e coordenadores pedagógicos, em nosso site, quais as principais dúvidas em relação à semana de planejamento. Recebemos 45 mensagens, questionando desde como organizar os encontros (e quem deve participar deles) até incertezas sobre os temas a debater. Para ajudar esses e outros leitores, sugerimos um cronograma para cinco dias de planejamento, com indicações sobre o que fazer em cada um deles e ideias práticas para conduzir os trabalhos.

A semana pedagógica, nunca é demais lembrar, não se restringe a esse período - pelo menos para os gestores. Érika Virgílio Rodrigues da Cunha, professora de Didática, Currículo e Avaliação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), afirma que o diretor deve planejar com antecedência, executar a agenda definida e acompanhar os resultados durante o ano. A preparação prévia está reunida no quadro abaixo, e as dicas para garantir um bom acompanhamento dos resultados, no último quadro desta reportagem. O planejamento da semana em si ocupa as próximas páginas.

Uma regra geral é começar o encontro pela discussão dos grandes temas e depois partir para os desafios específicos. Para o presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Barbosa de Camargo, a melhor maneira de fazer isso é preparar bons diagnósticos. "As decisões essenciais decorrem da reflexão sobre os rumos que a escola quer percorrer", diz.

O cronograma apresentado a seguir é apenas uma sugestão para ajudar você no planejamento da semana. Dependendo do tamanho da sua equipe docente e da escola, faça as adequações necessárias. 

Primeiras providências
Reúna a equipe gestora alguns dias antes para preparar a semana. 
Algumas ações devem ser realizadas:


- Montagem do calendário da escola
Com base na programação oficial da Secretaria de Educação
(em que constam feriados, recessos e eventos de rede),
planeje o calendário da escola, reservando datas para reuniões
 periódicas, como as de pais, do Conselho de Escola e
da Associação de Pais e Mestres. Eleja alguns dias para
eleição dos representantes de classe, feiras de Ciências
e de livros, confraternizações e festas ou outro evento
que a escola costume realizar. Peça ao coordenador para
sugerir dias e horários para o trabalho pedagógico coletivo
(geral, por área e por série).


- Consolidação dos dados da escola Faça uma tabela
com os principais dados da escola - número de matrículas
iniciais e finais e as taxas de aprovação, repetência e
distorção idade-série (leia mais na reportagem 
sobre dados da escola) -, os resultados de avaliações
e planilhas de aprendizagens dos alunos.


- Planejamento do tempo 
Monte um cronograma da semana pedagógica baseado
na quantidade de dias que a escola dispõe para o encontro.


- Organização do espaço 
Calcule quantos grupos de trabalho serão formados durante
 os encontros e combine com o pessoal da limpeza para
 que os espaços estejam limpos e organizados. Exponha
as produções de alunos e professores em corredores e
nas salas de aula para criar familiaridade e valorizar o trabalho
realizado pelos alunos.


- Previsão de alimentação Como receber a equipe?
Com um café da manhã de boas-vindas? Então é preciso
contar com a presença das merendeiras no local e preparar
 um espaço para essa recepção. Se a equipe vai se reunir por
alguns dias, planeje os momentos em que ocorrerão as pausas e
o almoço e o que será servido. Peça que as merendeiras organizem
o cardápio e façam as compras necessárias.
Evite!
Não perca tempo com dinâmicas de grupo e leituras 
de texto de "motivação" - práticas que não levam à
 melhoria da aprendizagem. A maneira mais eficaz 
de estimular a equipe é garantir um bom ambiente de
 trabalho e compartilhar metas.
Axtraído do site: http://revistaescola.abril.com.br

Livro: CRITÉRIOS PARA UM ATENDIMENTO EM CRECHES QUE RESPEITE OS DIREITOS FUNDAMENTAIS DAS CRIANÇAS




Ministério da Educação
Secretaria de Educação Básica
Diretoria de Concepções e Orientações Curriculares para Educação Básica
Coordenação Geral de Educação Infantil
CRITÉRIOS PARA UM ATENDIMENTO EM
CRECHES QUE RESPEITE OS DIREITOS
FUNDAMENTAIS DAS CRIANÇAS
Brasília
2009
2ª EDIÇÃO
4 Critérios para um atendimento em creches que respeite os
direitos fundamentais das crianças / Maria Malta Campos e Fúlvia
Rosemberg. – 6.ed. Brasília : MEC, SEB, 2009.
44 p. : il.
ISBN 978-85-7783-019-0
 Creche. 2. Critérios de avaliação. I. Campos, Maria Malta. II.
Rosemberg, Fúlvia. III. Brasil. Ministério da Educação. Secretaria
de Educação Básica. IV. Título.
CDU 373.22
Campos, Maria Malta.
Direção de Arte
Tech Gráfica
Criação e Projeto Gráfico
Daniel Ribeiro
Diagramação
Daniel Ribeiro
Tiragem
268.470 exemplares
Autoria:
Maria Malta Campos e Fúlvia Rosemberg
Equipe de Pesquisa sobre Creche
Departamento de Pesquisas Educacionais
Fundação Carlos Chagas
1ª Edição em 1995
5
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ....................................................................................07
1. Esta creche respeita criança: critérios para a unidade creche
. Maria Malta Campos............................................................................11
 A política de creche respeita criança: critérios para políticas e programas
de creche
. Fúlvia Rosemberg................................................................................29
BIBLIOGRAFIA..........................................................................................41
AGRADECIMENTOS................................................................................42


Apresentação
Este documento compõe-se de duas partes. A primeira contém
critérios relativos à organização e ao funcionamento interno das
creches, que dizem respeito principalmente as práticas concretas
adotadas no trabalho direto com as crianças. A segunda explicita
critérios relativos à definição de diretrizes e normas políticas, programas
e sistemas de financiamento de creches, tanto governamentais como
não governamentais.
Não inclui, assim, o detalhamento e as especificações técnicas
necessárias para a implantação dos programas. Os critérios foram
redigidos no sentido positivo, afirmando compromissos dos políticos,
administradores e dos educadores de cada creche com um atendimento
de qualidade, voltado para as necessidades fundamentais da criança.
Dessa forma, podem ser adotados ao mesmo tempo como um roteiro
para implantação e avaliação e um termo de responsabilidade. O texto
utiliza uma linguagem direta, visando todos aqueles que lutam por um
atendimento que garanta o bem estar e o desenvolvimento das crianças.
O documento focaliza o atendimento em creche, para crianças entre
0 a 6 anos de idade. Na maior parte das creches, as crianças
permanecem em tempo integral, voltando para suas casas diariamente.
A creche, assim, caracteriza-se, quase sempre, pela presença de
crianças menores de 4 anos e pelas longas horas que ali permanecem
diariamente. Embora muitos dos itens incluídos apliquem-se também
a outras modalidades de atendimento, como a pré-escola, a qualidade
da educação e do cuidado em creches constitui o objeto principal do
documento. Atingir, concreta e objetivamente, um patamar mínimo de
qualidade que respeite a dignidade e os direitos básicos das crianças,
nas instituições onde muitas delas vivem a maior parte de sua infância,
nos parece, nesse momento, o objetivo mais urgente.
Os pressupostos do documento baseiam-se em três áreas de
conhecimento e ação: dados sistematizados e não sistematizados
sobre a realidade vivida no cotidiano da maioria das creches brasileiras
que atendem a criança pequena pobre; o estado do conhecimento
sobre o desenvolvimento infantil em contextos alternativos à família, no
8 Brasil e em países mais desenvolvidos, que vem trazendo contribuições
importantes para o entendimento do significado das interações e
das vivências da criança pequena e o papel que desempenham em
seu desenvolvimento psicológico, físico, social e cultural; discussões
nacionais e internacionais sobre os direitos das crianças e a qualidade
dos serviços voltados para a população infantil.
Sua primeira versão foi preparada no contexto de um projeto de
assessoria e formação de profissionais de creche de Belo Horizonte,
financiado por Vitae*. Posteriormente foi discutido no 1° Simpósio
Nacional de Educação Infantil, em Brasília. A partir do final de 1994,
contou com o apoio do Ministério de Educação e do Desporto, que
organizou um encontro de especialistas, em São Paulo, para discutir
a segunda versão do documento. Outros grupos e pessoas também
colaboraram com críticas e sugestões durante todo o período de
elaboração do texto.
Esperamos que estas propostas de compromisso sejam amplamente
discutidas, assumidas e traduzidas em práticas que respeitem nossas
crianças.
* Vitae não compartilha necessariamente dos conceitos e opiniões expressos neste
trabalho, que são da exclusiva responsabilidade das autoras.
Foto: Carochinha/Coseas/USP



ESTA CRECHE RESPEITA A CRIANÇA
Critérios para a unidade creche
Maria Malta Campos
 Foto: Carochinha/Coseas/USP
• Nossas crianças têm direito à brincadeira
• Nossas crianças têm direito à atenção individual
• Nossas crianças têm direito a um ambiente aconchegante, seguro
e estimulante
• Nossas crianças têm direito ao contato com a natureza
• Nossas crianças têm direito a higiene e à saúde
• Nossas crianças têm direito a uma alimentação sadia
• Nossas crianças têm direito a desenvolver sua curiosidade,
imaginação e capacidade de expressão
• Nossas crianças têm direito ao movimento em espaços amplos
• Nossas crianças têm direito à proteção, ao afeto e à amizade
• Nossas crianças têm direito a expressar seus sentimentos
• Nossas crianças têm direito a uma especial atenção durante seu
período de adaptação à creche
• Nossas crianças têm direito a desenvolver sua identidade cultural,
racial e religiosa
ESTA CRECHE RESPEITA A CRIANÇA
Critérios para a unidade creche
- Nossas crianças têm direito à brincadeira
• Os brinquedos estão disponíveis às crianças em todos os momentos
• Os brinquedos são guardados em locais de livre acesso às crianças
• Os brinquedos são guardados com carinho, de forma organizada
• As rotinas da creche são flexíveis e reservam períodos longos para as
brincadeiras livres das crianças
• As famílias recebem orientação sobre a importância das brincadeiras
para o desenvolvimento infantil
• Ajudamos as crianças a aprender a guardar os brinquedos nos lugares
apropriados
• As salas onde as crianças ficam estão arrumadas de forma a facilitar
brincadeiras espontâneas e interativas
• Ajudamos as crianças a aprender a usar brinquedos novos
• Os adultos também propõem brincadeiras às crianças
• Os espaços externos permitem as brincadeiras das crianças
• As crianças maiores podem organizar os seus jogos de bola, inclusive
futebol
• As meninas também participam de jogos que desenvolvem os
movimentos amplos: correr, jogar, pular
• Demonstramos o valor que damos às brincadeiras infantis participando
delas sempre que as crianças pedem
• Os adultos também acatam as brincadeiras propostas pelas crianças

- Nossas crianças têm direito à atenção individual
• Chamamos sempre as crianças por seu nome
• Observamos as crianças com atenção para conhecermos melhor cada
uma delas
• O diálogo aberto e contínuo com os pais nos ajuda a responder às
necessidades individuais da criança
• A criança é ouvida
• Sempre procuramos saber o motivo da tristeza ou do choro das
crianças
• Saudamos e nos despedimos individualmente das crianças na chegada
e saída da creche
• Conversamos e somos carinhosos com as crianças no momento da
troca de fraldas e do banho
• Comemoramos os aniversários de nossas crianças
• Crianças muito quietas, retraídas, com o olhar parado, motivam nossa
atenção especial
• Aprendemos a lidar com crianças mais agitadas e ativas sem discriminálas
ou puní-las
• Aprendemos a lidar com preferências individuais das crianças por
alimentos
• Ficamos atentos à adequação de roupas e calçados das crianças nas
diversas situações
• Damos suporte às crianças que têm dificuldades para se integrar nas
brincadeiras dos grupos
• Procuramos respeitar as variações de humor das crianças
• Procuramos respeitar o ritmo fisiológico da criança: no sono, nas
evacuações, nas sensações de frio e calor
Crianças com dificuldades especiais recebem 
apoio para participar das atividades e brincar
com os colegas
• Nossas crianças têm direito a momentos de privacidade e quietude
• Evitamos usar e que as crianças usem apelidos que discriminem outras
crianças
• Procuramos analisar porque uma criança não está bem e encaminhá-la
à orientação especializada quando necessário
- Nossas crianças têm direito a um ambiente
aconchegante, seguro e estimulante
• Arrumamos com capricho e criatividade os lugares onde as crianças
passam o dia
• Nossas salas são claras, limpas e ventiladas
• Não deixamos objetos e móveis quebrados nos espaços onde as
crianças ficam
• Mantemos fora do alcance das crianças produtos potencialmente
perigosos
• As crianças têm lugares agradáveis para se recostar e desenvolver
atividades calmas
• As crianças têm direito a lugares adequados para seu descanso e
sono
• Nossa creche demonstra seu respeito às crianças pela forma como está
arrumada e conservada
• Nossa creche sempre tem trabalhos realizados pelas crianças em
exposição
• Quando fazemos reformas na creche nossa primeira preocupação é
melhorar os espaços usados pelas crianças
• Quando fazemos reformas tentamos adequar a altura das janelas, os
equipamentos e os espaços de circulação às necessidades de visão e
locomoção das crianças
• Nossa equipe procura desenvolver relações de trabalho cordiais e
afetivas
• Procuramos tornar acolhedor o espaço que usamos para receber e
conversar com as famílias
• Procuramos garantir o acesso seguro das crianças à creche
• Lutamos para melhorar as condições de segurança no trânsito nas
proximidades da creche
-Nossas crianças têm direito ao contato
com a natureza
• Nossa creche procura ter plantas e canteiros em espaços disponíveis
• Nossas crianças têm direito ao sol
• Nossas crianças têm direito de brincar com água
• Nossas crianças têm oportunidade de brincar com areia, argila,
pedrinhas, gravetos e outros elementos da natureza
• Sempre que possível levamos os bebês e as crianças para passear ao
ar livre
• Nossas crianças aprendem a observar, amar e preservar a natureza
• Incentivamos nossas crianças a observar e respeitar os animais
• Nossas crianças podem olhar para fora através de janelas mais baixas
e com vidros transparentes
• Nossas crianças têm oportunidade de visitar parques, jardins e
zoológicos
• Procuramos incluir as famílias na programação relativa à natureza
-Nossas crianças têm direito à higiene e à saúde

• Nossas crianças têm direito de manter seu corpo, cuidado, limpo e
saudável
• Nossas crianças aprendem a cuidar de si próprias e assumir
responsabilidades em relação à sua higiene e saúde
• Nossas crianças têm direito a banheiros limpos e em bom
funcionamento
• O espaço externo da creche e o tanque de areia são limpos e conservados
periodicamente de forma a prevenir contaminações
• Nossas crianças têm direito à prevenção de contágios e doenças
• Lutamos para melhorar as condições de saneamento nas vizinhanças
da creche
• Acompanhamos com as famílias o calendário de vacinação das
crianças
• Acompanhamos o crescimento e o desenvolvimento físico das
crianças
• Mantemos comunicação com a família quando uma criança fica doente
e não pode freqüentar a creche
• Procuramos orientação nos serviços básicos de saúde para a prevenção
de doenças contagiosas existentes no bairro
• Procuramos orientação especializada para o caso de crianças com
dificuldades físicas, psico-afetivas ou problemas de desenvolvimento
• Sempre que necessário encaminhamos as crianças ao atendimento de
saúde disponível ou orientamos as famílias para fazê-lo
• O cuidado com a higiene não impede a criança de brincar e se divertir
• Damos o exemplo para as crianças, cuidando de nossa aparência e
nossa higiene pessoal
 -Nossas crianças têm direito a uma alimentação 
sadia
• Preparamos os alimentos com capricho e carinho
• Nossas crianças têm direito a um ambiente tranqüilo e agradável para
suas refeições
• Planejamos alimentos apropriados para as crianças de diferentes idades
• Permitimos que meninos e meninas participem de algumas atividades
na cozinha, sempre que possível
• Procuramos respeitar preferências, ritmos e hábitos alimentares
individuais das crianças
• Procuramos diversificar a alimentação das crianças, educando-as para
uma dieta equilibrada e variada
• Incentivamos as crianças maiorzinhas a se alimentarem sozinhas
• A água filtrada está sempre acessível às crianças
• Incentivamos a participação das crianças na arrumação das mesas e
dos utensílios, antes e após as refeições
• Nossa cozinha é limpa e asseada
• Nossa despensa é limpa, arejada e organizada
• Valorizamos o momento da mamadeira, segurando no colo os bebês e
demonstrando carinho para com eles
• Ajudamos os pequenos na transição da mamadeira para a colher e o
copo
• Procuramos sempre incluir alimentos frescos nos cardápios
• Procuramos manter uma horta, mesmo pequena, para que as crianças
aprendam a plantar e cuidar das verduras
• As famílias são informadas sobre a alimentação da criança e suas
sugestões são bem recebidas
- Nossas crianças têm direito a desenvolver sua curiosidade, imaginação e capacidade de expressão
• Nossas crianças têm direito de aprender coisas novas sobre seu bairro,
sua cidade, seu país, o mundo, a cultura e a natureza
• Valorizamos nossas crianças quando tentam expressar seus
pensamentos, fantasias e lembranças
• Nossas crianças têm oportunidade de desenvolver brincadeiras e jogos
simbólicos
• Nossas crianças têm oportunidade de ouvir músicas e de assistir teatro
de fantoches
• Nossas crianças são incentivadas a se expressar através de desenhos,
pinturas, colagens e modelagem em argila
• Nossas crianças têm direito de ouvir e contar histórias
• Nossas crianças têm direito de cantar e dançar
• Nossas crianças têm livre acesso a livros de história, mesmo quando
ainda não sabem ler
• Procuramos não deixar as perguntas das crianças sem resposta
• Quando não sabemos explicar alguma coisa para as crianças, sempre
que possível procuramos buscar informações adequadas e trazê-las
posteriormente para elas
• Sempre ajudamos as crianças em suas tentativas de compreender as
coisas e os acontecimentos à sua volta
• Não reprimimos a curiosidade das crianças pelo seu corpo
• Não reprimimos a curiosidade sexual das crianças
- Bebês e crianças bem pequenas aproveitam a companhia de crianças maiores para desenvolver 
novas habilidades e competências
• Crianças maiores aprendem muito observando e ajudando a cuidar de
bebês e crianças pequenas
• Não deixamos nossas crianças assistindo televisão por longos
períodos
• As famílias são informadas sobre o desenvolvimento de suas crianças
- Nossas crianças têm direito ao movimento
em espaços amplos


• Nossas crianças têm direito de correr, pular e saltar em espaços amplos,
na creche ou nas suas proximidades
• Nossos meninos e meninas têm oportunidade de jogar bola, inclusive
futebol
• Nossos meninos e meninas desenvolvem sua força, agilidade e equilíbrio
físico nas atividades realizadas em espaços amplos
• Nossos meninos e meninas, desde bem pequenos, podem brincar e
explorar espaços externos ao ar livre
• Nossas crianças não são obrigadas a suportar longos períodos de
espera
• Os bebês não são esquecidos no berço
• Os bebês têm direito de engatinhar
• Os bebês têm oportunidade de explorar novos ambientes e interagir
com outras crianças e adultos
• As crianças pequenas têm direito de testar seus primeiros passos fora
do berço
• Reservamos espaços livres cobertos para atividades físicas em dias
de chuva
• Organizamos com as crianças aquelas brincadeiras de roda que
aprendemos quando éramos pequenos
• Procuramos criar ocasiões para as famílias participarem de atividades
ao ar livre com as crianças
- Nossas crianças têm direito à proteção,
ao afeto e à amizade







• Nossas crianças sabem que são queridas quando percebem que suas
famílias são bem-vindas e respeitadas na creche
• Nossa creche respeita as amizades infantis
• Nossa creche valoriza a cooperação e a ajuda entre adultos e crianças
• Nossas crianças encontram conforto e apoio nos adultos sempre que
precisam
• Procuramos entender porque a criança está triste ou chorando
• Procuramos ajudar as pessoas da equipe quando enfrentam problemas
pessoais sérios
• Procuramos não interromper bruscamente as atividades das crianças
• Evitamos situações em que as crianças se sintam excluídas
• Evitamos comentar assuntos relacionados com as crianças e seus
familiares na presença delas
• Nossas crianças, mesmo quando brincam autonomamente, não ficam
sem a proteção e o cuidado dos adultos
• Conversamos e brincamos com os bebês quando estão acordados
• Nossas crianças recebem atenção quando nos pedem ou perguntam
alguma coisa
• Procuramos proteger as crianças de eventuais agressões dos colegas
• Ajudamos as crianças a desenvolver seu auto-controle e aprender a
lidar com limites para seus impulsos e desejos
• Explicamos as crianças os motivos para comportamentos e condutas
que não são aceitos na creche
• Nunca deixamos de procurar entender e tomar providências quando
nossas crianças aparecem na creche machucadas e amedrontadas
- Nossas crianças têm direito a expressar seus sentimentos


• Nossas crianças têm direito à alegria e à felicidade
• Nossos meninos e meninas têm direito a expressar tristeza e
frustração
• Procuramos ensinar meninos e meninas como expressar e lidar com
seus sentimentos e impulsos
• Procuramos sempre enfrentar as reações emocionais das crianças com
carinho e compreensão
• Procuramos sempre entender as reações das crianças e buscar
orientação para enfrentar situações de conflito
• O bem-estar físico e psicológico das crianças é um de nossos objetivos
principais
• Ajudamos as crianças a desenvolver sua autonomia
• Sempre conversamos com as crianças sobre suas experiências em
casa e no bairro
• Nossas crianças podem, sempre que querem, procurar e ficar perto de
seus irmãozinhos que também estão na creche
• Nossas crianças expressam seus sentimentos através de brincadeiras,
desenhos e dramatizações
• A manifestação de preconceitos de raça, sexo ou religião nos mobiliza
para que procuremos incentivar atitudes e comportamentos mais
igualitários na creche.
- Nossas crianças têm direito a uma especial 
atenção durante seu período de adaptação à creche
• As crianças recebem nossa atenção individual quando começam a
freqüentar a creche
• As mães e os pais recebem uma atenção especial para ganhar confiança
e familiaridade com a creche
• Nossas crianças têm direito à presença de um de seus familiares na
creche durante seu período de adaptação
• Nosso planejamento reconhece que o período de adaptação é
um momento muito especial para cada criança, sua família e seus
educadores
• Nosso planejamento é flexível quanto a rotinas e horários para as
crianças em período de adaptação
• Nossas crianças têm direito de trazer um objeto querido de casa para
ajudá-las na adaptação à creche: uma boneca, um brinquedo, uma
chupeta, um travesseiro
• Criamos condições para que os irmãozinhos maiores que já estão na
creche ajudem os menores em sua adaptação à creche
• As mães e os pais são sempre bem-vindos à creche
• Reconhecemos que uma conversa aberta e franca com as mães e os
pais é o melhor caminho para superar as dificuldades do período de
adaptação
• Observamos com atenção a reação dos bebês e de seus familiares
durante o período de adaptação
• Nunca deixamos crianças inseguras, assustadas, chorando ou apáticas,
sem atenção e carinho
• Nossas crianças têm direito a um cuidado especial com sua alimentação
durante o período de adaptação
• Observamos com cuidado a saúde dos bebês durante o período de
adaptação
- Nossas crianças têm direito a desenvolver sua
identidade cultural, racial e religiosa
• Nossas crianças têm direito a desenvolver sua auto-estima
• Meninos e meninas têm os mesmos direitos e deveres
• Nossas crianças, negras e brancas, aprendem a gostar de seu corpo e
de sua aparência
• Respeitamos crenças e costumes religiosos diversos dos nossos
• Nossas crianças não são discriminadas devido ao estado civil ou à
profissão de seus pais
• A creche é um espaço de criação e expressão cultural das crianças, das
famílias e da comunidade
• Nossas crianças, de todas as idades, participam de comemorações e
festas tradicionais da cultura brasileira: carnaval, festas juninas, natal,
datas especiais de nossa história
• Nossas crianças visitam locais significativos de nossa cidade, sempre
que possível: parques, museus, jardim zoológico, exposições
• Nossas crianças visitam locais significativos do bairro, sempre que
possível: a padaria, uma oficina, a praça, o corpo de bombeiros, um
quintal
• Estimulamos os pais a participar ativamente de eventos e atividades na
creche

A POLÍTICA DE CRECHE RESPEITA A CRIANÇA
Critérios para políticas e programas de creche
Fúlvia Rosemberg
 Foto: Carochinha/Coseas/USP
A POLÍTICA DE CRECHE RESPEITA CRIANÇA
Critérios para políticas e programas de creche
• A política de creche respeita os direitos fundamentais da criança
• A política de creche está comprometida com o bem-estar e o
desenvolvimento da criança
• A política de creche reconhece que as crianças têm direito a um
ambiente aconchegante, seguro e estimulante
• A política de creche reconhece que as crianças têm direito à higiene e à
saúde
• A política de creche reconhece que as crianças têm direito a uma
alimentação saudável
• A política de creche reconhece que as crianças têm direito à
brincadeira
• A política de creche reconhece que as crianças têm direito a ampliar
seus conhecimentos
• A política de creche reconhece que as crianças têm direito ao contato
com a natureza
 A política de creche respeita os direitos
fundamentais da criança
As creches têm por objetivo educar e cuidar de crianças até 6 ano• s
de idade
• As creches não estão sendo usadas por crianças com mais de 7 anos
como alternativa à educação de 1º grau
• As creches são concebidas como um serviço público que atende a
direitos da família e da criança
• A política de creche procura responder ao princípio de igualdade de
oportunidade para as classes sociais, os sexos, as raças e os credos
• A política de creche reconhece que as crianças têm uma família
• A política de creche prevê a gestão democrática dos equipamentos e a
participação das famílias e da comunidade
• A programação para as creches respeita e valoriza as características
culturais da população atendida
• O programa de creches integra o planejamento municipal, estadual,
regional e federal de ações mais gerais
• A política de creche estimula a produção e o intercâmbio de
conhecimentos sobre educação infantil
• Há um projeto para as creches com explicitação de metas, estratégias,
mecanismos de supervisão e avaliação
• O plano de expansão das creches, em quantidade e localização,
responde às necessidades das famílias e crianças
• O plano para creche prevê entre suas metas a melhoria da qualidade do
atendimento à criança
O orçamento para as creches é suficiente
 para oferecer  um atendimento digno 
às crianças e um reconhecimento 
do trabalho do adulto profissional
• Os critérios para admissão de crianças nas creches são democráticos,
transparente e não discriminatórios
• As pessoas que trabalham nas creches que trabalham nas creches são
reconhecidas e tratadas como profissionais nos planos da formação
educacional, do processo de seleção, do salário e dos direitos
trabalhistas
• O per capita repassado às creches respeita o cronograma préestabelecido
• O valor do per capita repassado pelo poder público às creches
conveniadas é suficiente para oferecer um tratamento digno às
crianças
• O valor do per capita repassado às creches segue uma curva
ascendente
• Os critérios para estabelecimento e avaliação de convênios são
transparentes e acessíveis ao público
• As entidades conveniadas permitem o acesso público aos equipamentos
e acolhem a orientação dos órgãos responsáveis
 A política de creche está comprometida com o
bem-estar e o desenvolvimento da criança
O programa para as creches prevê 
educação e cuidado  de forma integrada visando,
 acima de tudo, o bem-estar e o desenvolvimento 
da criança
• A melhoria da qualidade do serviços oferecido nas creches é um objetivo
do programa
• As creches são localizadas em locais de fácil acesso, cujo entorno não
oferece riscos à saúde e segurança
• Os projetos de construção e reforma das creches visam, em primeiro
lugar, o bem-estar e o desenvolvimento da criança
• A política de creche reconhece que os profissionais são elementos
chave para garantir o bem-estar e o desenvolvimento da criança
• As creches dispõem de um número de profissionais suficiente para
educar e cuidar de crianças pequenas
• O programa dá importância à formação profissional prévia e em serviço
do pessoal, bem como à supervisão
• A formação prévia e em serviço concebe que é função do profissional de
creche educar e cuidar de forma integrada
• Os profissionais dispõem de conhecimentos sobre desenvolvimento
infantil
• A política de creche reconhece que os adultos que trabalham com as
crianças têm direito a condições favoráveis para seu aperfeiçoamento
pessoal, educacional e profissional
• A política de creche reconhece a importância da comunicação entre
famílias e educadores

Os profissionais responsáveis elaboram projetos 
de construção ou reforma dos prédios 
das creches que visam em primeiro lugar as
necessidades, o bem-estar e o desenvolvimento 
das crianças
• O orçamento possibilita construção ou reforma adequada dos prédios
das creches
• Os prédios das creches recebem manutenção periódica
• O orçamento das creches prevê compra, reposição e manutenção de
mobiliário, equipamentos e materiais necessários para que os ambientes
sejam aconchegantes, seguros e estimulantes
• O orçamento das creches prevê compra, reposição e manutenção de
roupas necessárias para as crianças dormirem, se trocarem em caso
de imprevistos e se lavarem
• Os prédios contam com espaço interno e externo adequado ao número
de crianças atendidas e às necessidades de sua faixa etária
• Os prédios oferecem condições adequadas para o bem-estar e o
conforto da crianças: insolação, iluminação, ventilação, sonorização,
esgoto e água potável
• Os prédios oferecem condições adequadas para as necessidades
profissionais e pessoais dos adultos
• Os ambientes das creches são adequados às funções de educar e
cuidar de crianças pequenas
• As creches dispõem de espaços externos sombreados, sem entulho,
lixo, ou outras situações que ofereçam perigo às crianças
• O programa prevê a manutenção dos espaços verdes das creches para
que ofereçam condições de uso sem perigo
• Os espaços internos das creches, seu mobiliário e o material disponível
permitem que a criança brinque, durma, aprenda, se alimente, vá ao
banheiro, se lave e tenha privacidade
• As creches dispõem de mesas, cadeiras, mamadeiras, pratos e talheres
para as crianças se alimentarem
• As creches respeitam a regulamentação local sobre normas de
segurança e higiene
• Os adultos recebem formação prévia e em serviço sobre como criar,
arrumar conservar e usar um ambiente aconchegante, seguro e
estimulante para as crianças
A política de creche reconhece que as crianças têm direito
a um ambiente aconchegante, seguro e estimulante
 A política de creche reconhece que as crianças
têm direito à higiene e à saúde.O orçamento 
das creches prevê custos para manutenção 
da higiene promoção de condições 
favoráveis à saúde de crianças e funcionários
• Os prédios das creches são limpos, arejados e bem insolados, evitando ser
espaços propagadores de doenças entre as crianças
• As creches dispõem de água potável
• O esgotamento sanitário não corre pelos pátios das creches e nos espaços
próximos
• O lixo das creches é recolhido diariamente
• As creches dispõem de produtos para a higiene pessoal das crianças
• As creches dispõem de utensílios e produtos de limpeza
• O programa de manutenção das creches está atento para infestações com
insetos e animais nocivos
• O Planejamento sanitário e da saúde da região incorpora a ação desenvolvida
nas creches e a orientação aos profissionais que ali trabalham
• A formação prévia e em serviço dos adultos está atenta para temas
relacionados à higiente e à saúde
• A definição da função do profissional integra a preocupação com a saúde
e a higiene na creche
• A programação para as crianças prevê ações relacionadas à área de saúde
e higiene
• As creches dispõem de material necessário para prestar os primeiros
socorrros e seus profissionais estão informados para onde devem
encaminhar as crianças em casos de acidente
• A programação de saúde dá especial atenção à comunicação entre família
e creche
A política de creche reconhece que as crianças
têm direito a uma alimentação saudável
O orçamento das creches prevê um custo 
de alimentação per capita pelo menos
 equivalente ao destinado a uma criança
 na cesta básica
• A programação da alimentação nas creches prevê alimentos in natura
• O cardápio das creches é balanceado e variado para responder às
necessidades calóricas e protéicas das crianças
• As creches dispõem de espaços adequados, arejados, limpos e seguros
para armazenamento e preparo de alimentos
• As creches dispõem de utensílios necessários ao preparo de alimentos
• As crianças dispõem de móveis e utensílios suficientes e adequados
para se alimentarem
• A formação prévia e em serviço dos profissionais considera a alimentação
e outras atividades ligadas ao cuidado como integradas ao processo
educativo infantil
• A programação das creches integra a alimentação e outras atividades
ligadas ao cuidado no processo educativo
 A política de creche reconhece que as crianças
têm direito à brincadeira
O orçamento para creches prevê
 a compra e reposição  de brinquedos,
material para expressão artística e livros
 em quantidade e qualidade
satisfatórias para o número de crianças
 e as faixas etárias
• Os brinquedos, os materiais e os livros são considerados como instrumento
do direito à brincadeira e não como um presente excepcional
• A construção das creches prevê a possibilidade de brincadeiras em
espaço interno e externo
• As creches dispõem de número de educadores compatível com a
promoção de brincadeiras interativas
• Os prédios das creches dispõem de mobiliário que facilite o uso, a
organização e conservação dos brinquedos
• A formação prévia e em serviço reconhece a importância da brincadeira
e da literatura infantil para o desenvolvimento da criança
• A programação para as creches reconhece e incorpora o direito das
crianças à brincadeira
A política de creche possibilita que as crianças 
tenham acesso à produção cultural 
da humanidade
• O orçamento para creches prevê a compra e reposição de livros e
materiais adequados para o número de crianças e as faixas etárias
• Os brinquedos, os materiais e os livros são considerados como
instrumentos importantes para a promoção do desenvolvimento e
ampliação dos conhecimentos das crianças
• Os profissionais de creche dispõem de um nível de instrução compatível
com a função de educador
• A formação prévia e em serviços dos profissionais contempla o acesso à
cultura e a ampliação dos conhecimentos das crianças como aspectos
importante do trabalho da creche
• A política de creche incorpora a preocupação de encontrar meios
adequados para promover o desenvolvimento infantil, sem submeter
precocemente as crianças a um modelo escolar rígido
• A programação prevê que as famílias sejam informadas dos progressos
de suas crianças sem que isto implique em avaliação formal
• A política de creche propicia que os educadores ampliem seus
conhecimentos e sua formação pessoal, educacional e profissional
A política de creche reconhece que as crianças
têm direito a ampliar seus conhecimentos
 O orçamento para construção, reforma 
e conservação  das creches prevê custos 
para manutenção de área verde 
no entorno ou dentro da creche
• As instâncias de arborização e jardinagem municipal incluem as creches
e seus espaços externos nos projetos locais
• O projeto de construção e reforma dos prédios das creches prevê
espaços externos que comportem plantas
• O programa prevê que as creches tenham condições para plantio de
pequenas hortas e árvores frutíferas de rápido crescimento
• Os profissionais de creche recebem formação e orientação para propiciar
o contato e o respeito das crianças para com a natureza
• A programação para as crianças dá especial atenção ao tema da
natureza
• A programação das creches incentiva passeios e outras atividades que
favoreçam maior contato com a natureza
A política de creche reconhece que as crianças
têm direito ao contato com a natureza


BIBLIOGRAFIA
ABBOT – SHIM, Martha e SIBLEY, Anette. Assessment profile for early childhood
programs. Manual administration. Nova Zelândia, 1987.
_____________ Assessmen prifle for early childhood programs: Preschool, infant,
school-age. Nova Zelândia, s.e., 1987.
BALAGEUR, I;. MESTRE, J. e PENN, H. Quality in services for Young children:
A discussion paper. Bruxelas, European Commission Childcare Networdk,
Commission to the European Communities, 1992.
BREDEKAMP, Sue (ed.) Developmentally appropriate practice in early childhood
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Association for the Education of Young Children – NAEYC, 1992 (expanded
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NATIONAL Childcare Accreditation Council. Putting children first: Introducing
quality improvement & accreditation childcare. Sidney, National Childcare
Accreditation Council, s.d.
________________ Putting children first: Quality improvement and accreditation
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__________________ Putting children first: Qualyty improvement and accreditation
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PASCAL, Christine. Capturing the qualy of educational provision for young
children: A story of developing professionals and developing methodology.
European Early Childhood Education Research Journal, v.1, n. 1, p. 69-80,
1993
42
Agradecimentos
Versões preliminares deste documento foram apresentadas em
diferentes fóruns e discutidas por vários especialistas que assim
contribuíram para que se chegasse ao formato atual.
• Maria Lúcia Alcântara Machado e Moysés Kuhlmann Jr. Da Equipe de
Pesquisas sobre Creche do Departamento de Pesquisas Educacionais
da Fundação Carlos Chagas
• Participantes do projeto Formação do Educador de Creche de Belo
Horizonte:
Aidê Cançado Almeida, Áurea Fucks Dreifuss, Déborah Lobo
Martins, Gilda Westin Cosenza, Isa T.F. Rodrigues da Silva, Jane
Margareth de Castro, Kátia Teixeira Peiter Bezerra, Lílian Maria
L. Sturzeneker, Lívia Maria Fraga Vieira, Márcia Moreira Veiga,
Maria Claudia Marques Faria, Maria da Consolação g. C. Abreu,
Maria Inês Mafra Goulart, Patrícia Zingoni M. Morais, Rita de
Cássia Freitas Coelho, Roberto Carlos Ramos, Walquíria Angélica
Passos Garcia.
• Participantes do Centro Brasileiro de Investigações sobre
Desenvolvimento e Educação Infantil (CINDEDI) do Departamento de
Psicologia e Educação da FFCL de Ribeirão Preto (SP): Ana Maria
Mello, Maria Clotilde Rossetti Ferreira, Telma Vitória.
• Participantes do I Simpósio Nacional de Educação Infantil organizado
pela COEDI-MEC em agosto de 1994 em Brasília.
• Participantes da reunião de trabalho organizada pela COEDI-MEC e
pela Fundação Carlos Chagas especialmente para discutir o documento
realizada em São Paulo dia 15 de dezembro de 1994:
Ana Cecília Sucupira, Ana Maria Mello, Ana Maria Secches,
Ângela M. Rabelo F. Barreto, Fátima Regina T. de Salles Dias,
Jane Margareth de Castro, Lívia Maria Fraga Vieira, Márcia
Pacheco Litzner, Maria Helena G. de Castro, Rita de Cássia de
Freitas Coelho, Silvia Pereira de Carvalho, Stela Maria Naspolini,
Stela Maris L. Oliveira, Tizuko M. Kishimoto, Vitória L. Barreto de
Faria, Zilma de Moraes Ramos de Oliveira.
• Robert Myers do Consultative Group on Early Childhood Care and
Development (Nova York)